Políticas

A vacinação no Brasil está sendo efetuada cada vez mais cedo?

As vacinas estão sendo administradas nas crianças cada vez mais cedo.  Mas existe uma idade ideal para a imunização? Essa é uma questão bastante contraditória. A imunidade do bebê até os três meses é quase nenhuma, e os fatores de proteção vêm basicamente da amamentação. Gradativamente vai se construindo a imunidade, mas amadurece mesmo a partir dos dois anos. Ao mesmo tempo em que esse não é o melhor momento para a criança responder à vacina, é também nessa fase que algumas doenças são mais graves.

Vacinação cada vez mais cedo
Vacinação cada vez mais cedo

Uma vacina aplicada numa criança recém-nascida ou até dois meses, vai ter uma resposta diferente do que aplicada aos três anos. Por isso é complicada a decisão de quando ministrá-la. O governo assume um calendário precoce para proteger as crianças contra doenças que ela pode pegar desde o momento do parto (como no caso da mãe infectada por hepatite B), mas como a criança não responde bem à vacina neste período,  é necessário administrar várias doses até os seis meses, quando o sistema imunológico já está um pouco melhor. Então o programa do Brasil é paternalista nesse sentido. Para quem é vacinador, é um programa efetivo, mas para quem enxerga sob outro prisma, o calendário é extenso e muito precoce para quem tem o sistema imunológico ainda em construção.

Uma das ressalvas dos pais que não vacinam é o uso dos metais pesados. O que você tem a dizer sobre isso?

Na composição das vacinas, as que têm vírus vivo (febre amarela, rubéola) podem causar mais reações, mas são reconhecidas mais facilmente pelo nosso sistema imunológico. Nas não vivas, existe algo que se chama adjuvante, colocado para aumentar a capacidade de reconhecimento e a duração dos anticorpos. O principal adjuvante usado em algumas vacinas é o alumínio, e em quase todas há a utilização de um conservante, porque é um produto biológico. Esses podem, sim, causar alguma reação alérgica, mas não são metais pesados.

Na rede pública, se usa uma substância chamada timerosal, cuja utilização foi proibida em vários países por ser derivada do mercúrio. É um conservante para o caso de vacinas multidose, cujo frasco é aberto e o conteúdo sobrante é utilizado para outras aplicações. No caso das privadas, não se usa timerosal, por se tratar de doses individuais.