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SUS pode reintegrar médicos cubanos ao programa Mais Médicos

Desde o encerramento do programa federal Mais Médicos em novembro de 2018, vários médicos cubanos foram desligados dos postos que eles ocupavam no sistema de saúde brasileiro.

Sendo que enquanto alguns profissionais optaram por sair do país, outros tiveram que permanecer no país para ficar com a família já constituída no Brasil.

Ao todo o número dos médicos cubanos em estado de desemprego está no universo dos 700. Sendo que todos esses profissionais ainda se apegam a esperança de ver se outra vez exercendo as suas atividades numa das instituições de Saúde do país.

Situação atual dos médicos cubanos desintegrados

Vários dos médicos desvinculados tiveram que colocar o seu diploma de médico na gaveta e se aventurar em atividades totalmente diferentes do seu campo de formação, de modo a obter um rendimento que sustente a sua família.

O cubano Juan Carlos Salas Echemendia de 51 anos, por exemplo, após sucessivas tentativas de conseguir um trabalho como médico, teve que se conformar com a situação de desempregado e correr atrás de bicos para poder sobreviver.

Juan já trabalhou como motorista de aplicativo e até mesmo como garçom. Felizmente, agora ele está prestando os seus serviços para uma clínica estética.

No entanto, nem todos os médicos cubanos desempregados tem a mesma sorte do Juan, como é o caso de Manuel Miguel de 35 anos, que depois de entregar o seu currículo a diversas instituições ligadas a saúde sem sucesso nenhum, acabou por se tornar desempregado permanentemente.

Hoje Manuel ajuda os seus sogros nas atividades domesticas ao mesmo tempo que segue com os estudos.

Inconformada e comovida com a situação dos seus colegas, Niurka Valdes Perez, que faz parte dos médicos cubanos desvinculados do sistema de saúde, criou em fevereiro deste ano a Aspromed.

Essa associação pretende reunir o maior número possível de médicos cubanos afetados pela ruptura do contrato, e seguir dessa forma com uma negociação junto ao governo.

Na busca por uma solução por parte do governo, a associação não exige muito, conforme declarou a Niurka. “Nós estamos totalmente disponíveis para assumir vagas que nunca ninguém foi capaz de assumir”.

Posição do Governo

As últimas mexidas no governo em relação a este assunto, têm feito os médicos cubanos alimentarem esperanças em relação a possibilidade de serem alocados novamente a um posto médico.

Recentemente o Ministério da Saúde informou que o governo está em via de elaboração de uma iniciativa que visa dar mais amplitude a assistência no Sistema Único de Saúde. Esse programa abre espaço para a reintegração dos médicos cubanos que ainda estão em solo brasileiro.

No entanto, para que isso possa acontecer, é preciso que seja editada uma medida provisória. Segundo previsões, espera-se que isso possa ser feito até agosto.

Fora isso, o próprio Ministério da Saúde também confirmou estar estudando soluções que possam assegurar a reintegração desses profissionais. Até porque depois da saída dos médicos cubanos, o governo federal passou a enfrentar dificuldades no entendimento dos cidadãos, principalmente nas áreas mais pobres do país.

De lembrar que os estudos com vista a garantir a volta no exercício da profissão dos médicos cubanos por parte do Ministério da Saúde, vem sendo feitos desde março, fato que demostra o interesse do governo no assunto.